solidão matinal
Estou bêbada, é fato. É o fim da festa. É a páscoa de cristo. Meu inferno astral deste ano é junto à ressurreição de cristo. Isso, porém, não tem nada a ver de qualquer maneira.
Talvez de fato eu me sinta estranha. Um certo desconforto, real. Não posso evitar o mal humor decorrente do desconforto. Novamente o dilema do que é estar sozinha. Eu me sinto deveras sozinha. Como ainda não soubera antes, o gosto desta solidão, tão específica em seu tamanho e profundidade. Isto é, se eu puder medir, de alguma maneira cartesiana, o tamanho e a profundidade de uma solidão.
Um blues psicodélico ajuda a me fazer sentir completamente sozinha. Isolada. Mas não alheia. Corpo presente. Uma estranheza. Hum. Vontade de fazer xixi.
Vinho tinto banha o coração. E a bexiga passa um tom vermelho na minha urina. Minhas hemácias embriagadas, como que pisoteadas pela pata de um elefante.
Eu vou ali, e logo volto.
-----------------------------
estou de volta. A solidão dura pouco. Será que estou mesmo perdida? Consigo ver que o próximo questionamento a se manifestar durante meses, será, basicamente, se eu realmente consigo me virar sozinha. Me arranjar. Viver sem grana. Me divertir. Trabalhar. Comprar o que eu puder. Me satisfazer no lazer e no viver.
Um namorado, amigos. Alicerces do viveiro cotidiano. O estar sozinha e o ser sozinho. Ah!, que exasperante. O blues continua, mais ameno. É quase uma balada de amor. O que é o amor, afinal? Uma sentinela à espreita. Um soberano movimento celeste. Um bem querer sem fim. Um mal querer que não.
----------------------------
com certeza um suicídio ao vivo deve ser algo bem chocante. Como uma pessoa que enfia uma arma na boca e atira, no tempo de um instante. Eu sinto como se realmente tivesse assistido a um legítimo suicídio depois de assistir a cena em um filme do David Lynch, Cidade dos Sonhos. Um minúsculo instante de todo o desespero possível. Letal.
-----------------------------

1 Comments:
minha querida... se "o amor é uma sentinela a espreita" fantasie tudo tudo que puderes e espere espere que a espera enfeita o encontro...que lindo! ...você é cada vez mais sussinta e exata em sua nova-velha condição de só...não é triste ser só, é só diferente, além do que pra poeta, tudo que se vive é material pra arte, toda dor é palavra.
li, se lhe parece um tanto evazivo o futuro é porque de tão plano o horizonte à sua frente, de tão longe não vês o pote de ouro no final do arco-íris...o futuro leva mais muito mais em si. vá caminhando sem subidas nem descidas, na sua permanência, não pare, continue andando, na sua calma e pasciência que tanto me ensinas a vislumbrar. você me disse que era a hora da tranformação ne? pois hoje graças a vc só vejo transformaçao onde há permanencia. e depois de tudo mudado é vc que faz a poeira baixar e todos respirarem limpa e profundamente!
estarei aqui, bem aqui ao seu lado, na permanência da transformação de nossas vidas estará cravada nossa amizade.
beijos e beijos...
Post a Comment
<< Home